Gibson Da Costa – geógrafo filiado ao CREA-RR
Geomorfologia é o campo científico dedicado ao estudo das formas de relevo da superfície terrestre, investigando sua origem (gênese), natureza, desenvolvimento e os processos físicos e químicos que as moldam. Etimologicamente, o termo deriva de três palavras gregas: geos (Terra), morphé (forma) e logos (estudo/discurso). A geomorfologia não foca seus estudos na forma do planeta como um todo, mas sim na sua superfície, analisando a geometria das feições superficiais, como montanhas, vales e planícies, e as interações entre os processos que as criam e as destroem.
Diferenças entre Geomorfologia e Geologia
Embora sejam ciências da Terra profundamente interconectadas, elas se distinguem pelo foco e escopo:
Objeto de Estudo: A Geologia estuda o planeta de forma integral, focando em sua origem, composição química, estrutura interna (núcleo, manto, crosta) e materiais (rochas e minerais). A Geomorfologia foca especificamente na configuração da superfície e nas feições do terreno.
Foco Espacial: Geólogos tendem a olhar para o que está “dentro” da Terra e para os processos internos. Geógrafos (geomorfólogos) estudam a superfície, as características das formas e o porquê de estarem localizadas onde estão.
Processos: A Geologia prioriza forças endógenas (internas), como o tectonismo e vulcanismo. A Geomorfologia concentra-se na interação entre essas forças internas e os processos exógenos (externos), como a erosão, o intemperismo e a sedimentação, que esculpem o relevo sob influência do clima e da água.
Contexto Disciplinar: A Geologia é uma ciência natural pura, enquanto a Geomorfologia é frequentemente vista como um ramo da Geografia Física, servindo de ponte entre as ciências da Terra e as Ciências Humanas ao analisar como o relevo influencia o assentamento e a atividade humana.
Áreas da Geomorfologia
A disciplina subdivide-se em várias especialidades, dependendo do enfoque e da escala de análise:
Geomorfologia Estrutural: Analisa como a estrutura geológica (falhas, dobras e tipos de rochas) condiciona a forma do relevo.
Geomorfologia de Processos (Dinâmica): Estuda os mecanismos físicos e químicos atuais (como a ação dos rios ou ventos) e como o relevo responde a eles.
Geomorfologia Climática: Investiga a influência direta dos climas atuais e passados na esculturação da paisagem (ex: sistemas glaciais, áridos ou tropicais).
Geomorfologia Histórica: Reconhece a evolução das formas de relevo ao longo do tempo geológico, buscando entender paleoambientes através de registros em camadas de sedimentos.
Geomorfologia Aplicada/Ambiental: Utiliza o conhecimento do relevo para resolver problemas práticos, como gestão de recursos naturais, planejamento urbano e prevenção de riscos de desastres (deslizamentos e enchentes).
Geomorfologia Fluvial: Foca especificamente no trabalho dos rios como agentes modeladores do relevo.
Geomorfologia Planetária: Estuda as formas de relevo em outros corpos celestes, como Marte ou a Lua, utilizando muitas vezes análogos terrestres para interpretação.
Geomorfologia Costeira: Dedica-se ao estudo das formas e processos nas zonas de contato entre terra e mar, como praias e falésias.
Geomorfologia Tectônica (Morfotectônica): Estuda as interações entre o relevo e processos tectônicos em regiões onde a crosta sofre deformações ativas.
Fontes
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